Um pouco antes de começar o ensaio, o Pereira foi enfático:
- A gente devia ir lá, sim. Amigo é pra essas coisas.
O Silva foi evasivo:
- Sei não. Vamos falar o quê?
O Araújo deu uma força pro Pereira:
- Falar eu não sei. Mas só nossa presença vai fazer bem pra ele.
O Machado discordou:
- Tem que ser muito cínico pra falar uma coisa dessas.
O Bila perguntou pro Mané:
- O que que `cê acha?
O Mané respondeu:
- Acho que o Silva tá certo. Dizer o quê? Vai ser pior.
O Pereira não abria mão:
- A gente precisa dar uma força pra ele sim, pôxa. Animar o cara. Que tipo de amigo a gente é?
O grupo todo respondeu:
- Umas drogas!
E começaram a tocar. Precisavam estar afinados. Tinham vários shows marcados pelo bairro. Afinal, o Sangue Negro, era assim que se chamava o grupo de pagode, estava começando a ficar famoso.
Mas naquele dia, ninguém estava muito inspirado. Depois do samba: “Eu sei que não sou digno”, de autoria do Mestre Cuíca, decidiram parar e ir beber no bar mais próximo. O Pereira ainda tentou insistir, queria porque queria ir visitar o amigo, mas foi voto vencido. Então ficou assim, ninguém foi visitar o Alemão, o açougueiro albino, fã ardoroso do conjunto e que era pai pela primeira vez. A mãe era a Branca, uma norueguesa que mal falava a nossa língua. E o filho: preto. Como não podia ser.
O Bila ainda perguntou pro Mané:
- O que que `cê acha?
O Mané foi sincero:
– Falar o quê, Mano? Falar o quê? Acho que o Pereira quer ir lá pra ver se o menino se parece com ele. Acho que é isso. Mas eu acho que o filho é meu. – É meu! É meu! – O Bila teve a impressão de ter ouvido todos gritarem.
Wednesday, November 16, 2005
Tuesday, November 15, 2005
Posso te dar um beijo?
O tarado se aproximou da garota e tentou criar um vínculo:
- Quer um bombom?
- Não gosto de bombons. Gosto de chiclete.
- Chiclete faz mal para os dentes.
- E bombom faz mal para o meu regime.
- Que regime?
- Eu preciso fazer regime. Estou ficando gorda. Minha mãe diz que se eu quiser ser modelo eu tenho que ser magra.
- Sua mãe é uma tonta.
- Tonto é você.
Ele se arrependeu de ter dito aquilo. Não era uma boa tática xingar a mãe da vítima. Precisava ganhar confiança.
- Tem razão. Sou um tonto mesmo.
- É.
Ele ficou chateado com a sinceridade dela, mas resolveu se controlar e partir para o ataque de uma vez.
– Posso te dar um beijo? – Ele pediu, dedos cruzados, confiando no seu bom perfume e hálito refrescante.
A menina de 6 anos ficou olhando pra ele de um jeito que não sabia. Por fim falou:
- Pode, mas só um.
O tarado sentiu alguma coisa vibrar dentro dele. O beijo era o começo de tudo. Foi chegando mais perto da menina e sentindo o calor do corpo dela. Aquela pele fresca, odor juvenil. Um mundo de mistérios a ser explorado.
Fechou os olhos e roçou docemente os seus lábios de leve no rosto da menina. Queria guardar pra sempre aquele momento da conquista. Empolgou-se como era de se esperar e agarrou Mirella num abraço forte, de urso. A menina se assustou, tentou desvencilhar-se a todo custo, mãozinhas e perninhas se debatendo contra o perigo.
- Não! Assim não. O que você está fazendo, papai!!? Você está me machucando.
A mãe de Mirella chegou logo, cinzeiro na mão, cinzeiro na cabeça do tarado. Naquele dia mesmo se mudou para a casa da mãe levando a menina e três vestidos.O tarado foi preso por esses dias. E a menina felizmente nunca mais perguntou do pai, que dizem virou mulher de bandido na cadeia.
- Quer um bombom?
- Não gosto de bombons. Gosto de chiclete.
- Chiclete faz mal para os dentes.
- E bombom faz mal para o meu regime.
- Que regime?
- Eu preciso fazer regime. Estou ficando gorda. Minha mãe diz que se eu quiser ser modelo eu tenho que ser magra.
- Sua mãe é uma tonta.
- Tonto é você.
Ele se arrependeu de ter dito aquilo. Não era uma boa tática xingar a mãe da vítima. Precisava ganhar confiança.
- Tem razão. Sou um tonto mesmo.
- É.
Ele ficou chateado com a sinceridade dela, mas resolveu se controlar e partir para o ataque de uma vez.
– Posso te dar um beijo? – Ele pediu, dedos cruzados, confiando no seu bom perfume e hálito refrescante.
A menina de 6 anos ficou olhando pra ele de um jeito que não sabia. Por fim falou:
- Pode, mas só um.
O tarado sentiu alguma coisa vibrar dentro dele. O beijo era o começo de tudo. Foi chegando mais perto da menina e sentindo o calor do corpo dela. Aquela pele fresca, odor juvenil. Um mundo de mistérios a ser explorado.
Fechou os olhos e roçou docemente os seus lábios de leve no rosto da menina. Queria guardar pra sempre aquele momento da conquista. Empolgou-se como era de se esperar e agarrou Mirella num abraço forte, de urso. A menina se assustou, tentou desvencilhar-se a todo custo, mãozinhas e perninhas se debatendo contra o perigo.
- Não! Assim não. O que você está fazendo, papai!!? Você está me machucando.
A mãe de Mirella chegou logo, cinzeiro na mão, cinzeiro na cabeça do tarado. Naquele dia mesmo se mudou para a casa da mãe levando a menina e três vestidos.O tarado foi preso por esses dias. E a menina felizmente nunca mais perguntou do pai, que dizem virou mulher de bandido na cadeia.
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